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Como um jornalista igual a mim que há 18 anos acompanha profissionalmente a Corrida Internacional de São Silvestre pode entrar o ano novo “good vibe”?

Vá, confesso que nesses anos todos, entrei varias vezes só na “good vibe”. Em passado não tão distante, na São Silvestre, tratar sobre pipocas era assunto fora de pauta e realidade. Havia pouquíssimos pipocas frente ao cenário atual.

E por causa deles, logo mais às corridas de rua vão passar para as páginas policiais, sem ao menos, termos tido espaço relevante na editoria esportiva da grande imprensa.

Tivemos um boom de novos corredores à partir de 2005, e certamente foi em função da performance do Vanderlei Cordeiro na maratona olímpica de Atenas, e neste boom veio a pipocagem desenfreada dos “zamigos” que começavam a se conhecer no Orkut.

Bati de frente desde o início nos bandits. Aliás, o fofinho termo ‘pipoca’ veio junto deste boom do fim da década passada. Como sabem sou corredor-raiz, atualmente com uma certa Nutelagem, e posso dizer que nunca tivemos tantos bandits (que era o termo usado). Pipocas- Bandits e agora falsários são malefícos ao esporte corrida de rua. Ao esporte competição.

Vejam: ao invés de termos uma página no principal jornal do Brasil – como hoje na Folha de São Paulo – falando dos benefícios da modalidade, basicamente paramos na editoria policial. Isso nunca existiu nas corridas.

Portanto, com 10 anos de pipocagem-hard e milhões de prejuízos ao mercado e também aos atletas amadores, está na hora do assunto ser encarado de frente como pioneiramente fez a Yescom.

É necessário extirpar pipocas-bandits- falsários fazendo inclusive campanhas de conscientização aos novos corredores, ensinando que “pipoca” não é normal. Nunca foi.

Corrida de rua ainda é o esporte que em uma arena com 10 mil pessoas você pode deixar uma mochila largada, e quando voltar minutos depois, ela ainda estará lá. Se alguém pegar, a probabilidade de estar querendo achar o dono, e não tirar vantagem, é muito maior.

A modalidade é um oásis dentro da sociedade violenta que vivemos. Pipocar, fraudar são atos corruptos. Não deixemos nosso esporte parar nas páginas policiais, não corra, nem incentive a pipocagem.

Preservemos essa “good vibe” das corridas, já a minha está difícil.

Harry Thomas Jr.
Harry Thomas Jr.
É Publisher do Blog do Harry. É jornalista especializado em corridas de rua desde 1999 quando lançou o site Maratona. Posteriormente esteve à frente dos portais Webrun e Running News. Expert em corridas tem matérias publicadas em todas as revistas de running do Brasil. Já participou de provas que vão dos 5k aos 67km na Argentina, Chile, Estados Unidos, Grécia e Japão. Além do asfalto aprecia Trail Run.

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