Maratona de Porto Alegre: quando bicicleta e corrida não combinam

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Como todos que me acompanham sabem, tenho tolerância zero com fraudes em corridas. Pipocas, cortadores de caminho, uso de inscrição de idosos, correr com dois chips (prática antiga mas que viralizou nesta semana na Maratona de Porto Alegre), troca de número entre gêneros, entre outros, critico sem dó. Se fosse personalizar cada um dos ocorridos que chegam ao meu conhecimento só faria isso em minha vida.

Faço denúncias já que essa é uma premissa de minha profissão de jornalista. Explico essa minha visão neste post. Não é para ganhar likes como alguns de pensamentos rasos insinuam, visto, denuciar fraudadores quando nem redes Sociais existiam, lembrando que escrevo profissionalmente sobre corridas desde 1999.

Imaginem vocês se cada cidadão desempregado usar o álibi que não pode pagar inscrição e por isso correrem de pipoca. Certamente os organizadores iriam a falência e haveria mais pipocas do que corredores regulares inscritos nas provas brasileiras, por isso, o combate as fraudes são necessárias.

Uma imagem de uma corredora que vamos chama-la de Juliana para preservar sua imagem, integrante de uma importante Assessoria Esportiva do Brasil viralizou nas Redes Sociais ao ser fotografada nos metros finais da Maratona de Porto Alegre empurrando uma bicicleta. Não pensem que foi a primeira vez que isso aconteceu. Uma semana antes fui ao Rio de Janeiro e soube de um caso na meia-maratona. Pedi foto para minha fonte mas como não havia provas, não pude fazer a denúncia.

Confesso que até a competição carioca não tinha conhecimento de nenhum caso que utilizassem bicicletas para ‘cortar caminho’, e olha, que já vi de quase de tudo nestes 24 anos que estou no meio. Já soube da utilização de carro, moto, metrô…O caso de Juliana, entretanto, foi atípico.

Diferente do caso do Rio de Janeiro onde a cortadora cumpriu o percurso por escaninhos, em Porto Alegre, Juliana, empurava uma bicicleta-compartilhada ostensivamente, atravessando o pórtico, e pior, pegando a medalha, sim, a medalha.

Pronto, o caldo estava feito e ia entorna-lo rapidamente após viralizar pelas redes sociais. Eu mesmo fiz um post no Facebook e Twitter dizendo que aquilo era uma “vergonha” de modo continuum o treinador da corredora retuitou meu tuite, viralizando e causando mais repercussão.

Não fui eu quem a denunciou e deu o furo. A viralização se deu por dois lados. A foto dela feita por alguém que estava perto da chegada e o print de um ‘storie’ em sua conta de Instagram que era aberta. Quando o caso dela chegou ao meu conhecimento já estava viralizado há horas.

Outro ingrediente foi adicionado ao caldo que colocou aquela corredora em evidência. Ela estava em Porto Alegre por dois motivos. Buscar a medalha e tentar índice para a Maratona de Boston.

O fato de saber sobre sua pretensão ao índice de Boston fez eu criticá-la severamente, porém, tomei o cuidado de proibir que colassem fotos e o print que viralizou, assim como, não compartilhei essas informações. Minhas réplicas quando a defendiam eram pragmáticas em relação as regras do modalidade corridas de rua.

Diferente dos dois casos notórios que expus sobre cortadores de caminho, ambos, ocorridos na São Silvestre, em 2015, sendo um “veterano rápido” (costumaz cortador de caminho) e do casal que fez tempo de profissional e uma semana depois estava rindo da nossa cara em cadeia nacional no Fantástico da Rede Globo, Juliana, tão logo que cruzou a linha de chegada escreveu para seu treinador relatando o acontecimento e também para o Corpa pedindo sua desclassicação.

A corredora atravessou a linha de chegada sem índice para a Maratona de Boston mas com a medalha, sim a medalha, seu maior objetivo naquele dia. Como sabemos ela errou por quebrar regras da corrida e tem que assumir os seus atos, independente da motivação, assim, Juliana, foi desligada de sua assessoria esportiva.

Juliana me escreveu pedindo para que eu deletasse meus posts pois não queria que o nome da Assessoria Esportiva ficasse “na boca do povo”. Me recusei visto não tê-la ofendido e eu vivo de informação que uns poucos chamam de fofoca. Afinal, algum jornalista precisa fazer o ‘trabalho sujo, e não mostrar somente as maravilhas das corridas. Só concordei com o segundo pedido dela após minha recusa. Desmarcar o nome da Assessoria na foto do Instagram, o que fiz.

Pedi uma entrevista a qual transcrevo abaixo:

Você estava correndo bem. O que aconteceu com sua corrida?
Eu comecei a sentir dores nas duas coxas perto do 38km, e dali bem rápido ficou bem forte, aí lá pelo 39km dei micro paradas intercalando com caminhadas, no 40 já me arrastava, tentava alongar e tentava voltar a correr e não dava. Mas precisava chegar na linha de chegada. Precisa levar a medalha para casa.

Como assim?
Eu precisava cumprir um pedido do meu pai. Esse pedido virou uma promessa para mim. A promessa foi o que motivou ir correr em Porto Alegre. Foi o único motivo que fiz o que fiz.

Que promessa foi essa?
Prometi para meu pai chegaria na chegada e dedicaria a corrida em si a ele, e isso para mim, era muito importante. Eu só queria terminar o que prometi.

Mas o por que essa promessa era tão importante?
Meu pai nasceu em Porto Alegre…

E…?
Bem, ele sofreu um AVC e há quatro anos está deitado em uma cama. Então, eu só pensava em não desapontá-lo. Foi por amor. Eu me arrependi, não fiz isso pra levar vantagem e sim porque tinha prometido ao meu pai doente que chegaria. Me arrependi muito mesmo assim e fiz o que pude pra me retratar. Não faria de novo. Foi uma escolha no desespero mas que foi um erro meu. Quem não erra. Repito foi por amor!

Mas ao parar no 40km o por que você ao invés de pedir ajuda não completou os dois quilometros andando?
A dor estava muito forte. Chovia e comecei a sentir frio. Procurei ajuda mas neste ponto não havia staffs, não havia ambulância…me senti sozinha. Minha cabeça só pensava no meu pai. Eu no estado que estava, já em processo de inicio de hipotermia, não coseguiria chegar andando. Foi aí que vi pessoas com bicletas e pensei em pedir ajuda. Neste ponto a corrida já havia acabado para mim.

Sei que você pediu ajuda para três ciclistas, e essa versão bate segundo apurei, pois o segundo ciclista que pediu ajuda, e negou, é meu amigo. Conte isso.
Sim o primeiro negou. Continuei a andar e seu amigo me ofereceu ajuda. Mas negou me levar na garupa até a chegada. Ele comentou que me arrependeria de não ir andando. Que maratona é assim mesmo. Nesta hora eu só precisava chegar e comentei que o sonho de Boston já tinha acabado. Eu estava surtada e desesperada. A foto mesmo que viralizou nos metros finais quando desci da bicicleta e comecei a empurra-la mostra um expressão tensa. Só comparar as fotos antes da quebra com essa. Não era o momento de me abrir com desconhecido sobre minha motivação pessoal. Seu amigo seguiu. Havia um terceiro ciclista assistindo a prova. Pedi carona e ele negou. Já totalmente desesperada, com muito frio depois que o corpo esfriou fiz então o pedido para ele me emprestar a bicicleta. Ele relutou (NE: mais uma vez essa versão bate com que eu apurei. Uma fonte viu isso e me confirmou). Depois de muito insisti ele me emprestou a bike compartilhada com a exigência que eu entregasse na tenda assessoria dele, o que fiz.

E o que aconteceu até o final?
Creio que pedalei do 40km a mais ou menos 41km, 41,5km. Desci da bicicleta e a empurrei. Peguei a medalha, levei a bike. Voltei para o hotel, me aprontei, peguei um UBER e foi aí que falei com meu treinador, chorando e pedindo desculpas.

Como você viu a reação da Intenet?
Como te falei eu não fiz isso pra levar vantagem sobre ninguém, ninguém! Não fiz para obter índice como muitos me julgaram (NE: eu fui desses, pois a história que não batia era um pessoa emprestar a bike para um desconhecido, mas depois uma fonte revelou que viu a pessoa entregando a bicicleta a ela). Estava todo mundo vendo o óbvio que eu não ia tentar Boston de bicicleta, não tinha como passar, não sou malandra. Não tenho ego inflado. Sou super discreta. Não sou blogueira e não preciso ser desonesta. A corrida para mim tinha terminado em termos competitivos a partir que comecei a pedir ajuda.

E por que você no seu stories não revelou o verdadeiro motivo de uso da bicicleta?
Achei que não precisava falar, pois esse era meu motivo pessoal, é difícil julgar. Eu corri por mim não pelo Instagram. Acho que se às pessoas tivessem um pai aleijado na cama há quatro, feliz que a filha foi correr uma maratona na cidade que nasceu não julgariam tão rápido. Eu já estou arrasada,. me arrependi. E repito: não faria de novo. Meu pai com certeza se visse como sofri concordaria. Mas e a ajuda para eu chegar ao final quebrada? Sem staff, sem médicos ali onde parei?

Quer deixar algum recado?
Peço desculpas inicialmente ao meu treinador e não estou brava que fui desligada da Assessoria. Errei e estou pagando. Um preço alto mais pela reação e ataques que sofri. Desculpas aos meus amigos , a organização. E por último o recado é para os corredores. Não faça o que fiz. Pode até pegar uma bike, mas vire o número de peito (o que fiz), retire o chip e não atravesse o pórtico. Aprendi e o remédio foi amargo, muito amargo.

Harry Thomas Jr.
Harry Thomas Jr.
É Publisher do Blog do Harry. É jornalista especializado em corridas de rua desde 1999 quando lançou o site Maratona. Posteriormente esteve à frente dos portais Webrun e Running News. Expert em corridas tem matérias publicadas em todas as revistas de running do Brasil. Já participou de provas que vão dos 5k aos 67km na Argentina, Chile, Estados Unidos, Grécia e Japão. Além do asfalto aprecia Trail Run.

38 Comentários

  1. João Marcos disse:

    Harry, só uma coisa não bate. Se ela estava arrependida, por que ela postou no Instagram uma foto de peito estufado se gabando que “tirando o imprevisto nos últimos 2k, foram 40km lindos, uma das corridas mais ritmadas, encaixadas e constantes que fiz”? Ótima matéria, parabéns!

    • Mari disse:

      É cada história pra boi dormir, a guria mente que nem senti…já que queria cumprir uma promessa ao pai seja honesta, se rasteja mas nao fraude.
      Quem não consegue dá um passo não consegue pedalar uma bike e agora estufa o peito se gabando de ter corrido lindamente ate o km 40.

  2. Sandra disse:

    Não me convenci acho que pedalar e continuar caminhando daria no mesmo, mas não fui eu que sentiu as dores, parabéns pela averiguação dos fatos.

  3. José Carlos de Soyza disse:

    Não concordo com muitas práticas, não só de corredores, embora, confesso que algumas, já pratiquei, menos ser pipoca, isso abmino, e também não concordo, com falta de organização e preços injustos, nem tudo é perfeito, nas, não porque um se joga no poço, que vc tem que ir

  4. Ela não é a única que vejo com tais atos fazendo o mesmo, embora numa causa nobre. Nunca precisei fazer isso de tal modo, contudo a forma de como se completa o trajeto, aliado as redes sociais, estão fazendo os corredores serem ….. estranhos. Precisam usar do celular e “stories” dos outros para uns serem “juízes” dos outros?

    E, se tivesse ali ajuda da organizadora, o final seria diferente? Pois também em várias provas precisei da organização e não a vi.

    Entendo o lado dela, pois passei por situações de desespero, só não fui além por algum motivo que desconheço. Ou não precisei, enfim. Mas creio eu, que se alguém passasse ali lhe emprestando uma blusa ou capa de chuva e lhe desse uma porção de rapadura pelo menos, acredito numa suposta melhora corporal.

    Talvez o que não devia ser feito é uma corrida sem preparo necessário. Ou que a fizesse numa distância menor.

    Atos parecidos possivelmente devem fazer as pessoas mais …humanas….

  5. Não sei pq, mas todo esse texto, seu e dela, não desce… Aliás, raso todos os argumentos… Bate/ Assopra… Espero q o pai dessa garota não piore depois de todos os acontecimentos… Oremos! Por mim segue a vida, nada mudou…

  6. Cláudio Assis disse:

    Ao nobre jornalista, o que muito me assusta é a sua preocupação com a falência dos organizadores na prática dos pipocas. Se não fosse o bastante, também tenho a impressão de que as acusações a uma pessoa que me pareceu estar desiquilibrada e frágil naquele momento foram um pouco precipitadas… acusou sem antes ouvir a sua versão.
    Aproveito o espaço para que o jornalista possa ajudar os atletas junto à organização questionando:
    Pq não tinha staff suficiente ao longo do percurso?
    “Lembrando que o amigo “tio Mayco” do Canal Corredores também precisou de atendimento médico e sofreu até que conseguir o básico para um evento do porte.

  7. Valdir disse:

    A desculpa dela para mim não cola, ter uma medalha da forma que ela conquistou é mais vergonhosobdo que chegar sem a medalha em casa. Já passei por perrengues em provas, principalmente na montanha, com chuva, noite, neve…. 2km ela terminava andando. Estava sem pernas e ainda conseguiu subir na bike e pedalar???

    • Ricardo disse:

      Valdir bem sabemos que o movimento de pedalar pega o musculo de uma forma diferente. Imagino que pra ela tenha sido mais suportavel

    • Roberto Soares disse:

      Valdir conheco ela e perguntei por que levou a medalha. Ela falou q a medalha era um simbolo de todo o esforco dela na prova, que foi ate onde nao dava mais. E isso que o ricardo falou e verdade, ela me disse justamente que pedalar era possivel porque “pegava” a coxa de outra forma, mais toleravel

  8. Marco Antono disse:

    Toda a verdade deve ser fita e parabens por averiguar.
    Uma atleta q treina para uma maratona sabe q pode quebrar e nao dar certo. Um dia é diferente do outro. Com ctz ela estava desiquilibrada devudo ao momento, mas o caráter manda acima de tudo. Nao deveria nem ter pensado em fazer o que fez. Total desaprovação.

    • Sergio disse:

      Marco antonio, conheco a atleta e a mesma se destingui por ser uma pessoa extremamente seria e correta e de bom carater. Diferente dos outros que burlam para levar vantagem, ela avisou as autoridades prontamente, o que demonstra seu carater pois sabia estar errado. Fez uma decisao errada por motivo pessoal pelo qual pagou caro mas nunca para enganar ninguem ou levar vantagem na competicao

  9. Daniela disse:

    Oi Harry,
    Ter um familiar em casa doente não justifica o ato. Se o objetivo dela era correr pelo pai teria que se preparar para isso. Imagina se todos que tivessem algum problema em casa agissem de forma errada. Apesar de toda explicação dela, não justifica. Se realmente a rede social não importasse ela nem tinha Instagram ou qualquer outro tipo. Parabéns pelo texto e por mostrar o real acontecido.

    • Thiago Martins disse:

      Daniela frequento a mesma academia que ela e via sua dedicacao diaria. Treinava todos os dias, duas vezes por dia as vezes. Acho que imprevistos acontecem, concordo que nao e algo certo e que deve ser repetido. Ao menos ela teve a dignnidade de reconhecer e se denunciar. Que foi antes de qualquer escandalo, que n minha opiniao tem sido exagerado. Sobre o instagram eu sigo ela e pelo que eu vejo nao e um instagram de corrida so um insta igual de qualquer pessoa normal com amigos..

  10. Carlao Teixeira disse:

    Um detalhe que está passando despercebido, o Marcos Paulo disse que na terceira pisada na bola desliga o atleta da assessoria. Quais foram os outros dois erros da atleta em questão?
    Em tempo, bastante conveniente a desculpa do pai doente.

  11. Patricia disse:

    Mais que isso. Ela esquece que postou depois da prova no stories confirmando que tinha ido atrás do índice do Boston e que voltaria ano que vem pra buscar o unicórnio? Alguém que faz a meia para 1:45 e acaba a prova, mesmo com tudo isso, em 3:42 não tinha condições para andar 2k? Estava lá. Estava chovendo e frio sim, mas longe de ser frio para hipotermia. Me desculpa, mas essa argumentação toda só piorou a história para mim.

    • Eliana disse:

      Concordo com suas observações em partes. Um amigo teve hipotermia pós prova! Pra nos que moramos no interior de SP, próximo ao MS, o frio pegou bem!

  12. Elizeu Leite disse:

    Harry, parabéns por tentar apurar a verdade dos fatos. Sinceramente, acho muita confusão por besteira….. vi absurdos nas redes sociais. Ninguém tem nada a ver com a vida da menina. Só quem corre uma Maratona sabe o desespero que bate quando vem a quebra. Eu corri a prova… sei como foi dura. É o Tribunal das Redes Sociais, onde o acusado não tem direito ao contraditório e a ampla defesa. O estraga já foi feito. Vamos viver e correr mais….sem se preocupar com a vida dos outros. Não julgar antes de ouvir o outro lado. No caso em apreço, ele cruzou a linha ostentando, de modo claro e notório, a bicicleta. É lógico que ela não passaria despercebida. Ai é onde reside a principal intenção da moça .

    Abraço,s

  13. Alex disse:

    A diferença da alegação dela e a postagem no Instagram pós prova é gritante. Eu já tive problema em Maratona no km 30 e terminei sem apelar pra nada. Esqueci o tempo é fui pra terminar.

  14. Fernando disse:

    É serio isso que ela fez a meia com 1:45 e terminou com essa quebra toda com 3:42″?
    Eu fiz minha primeira maratona e tudo saiu comforme o planejado sem parar, sem andar, com uma quebra de ritmo muito pequena após o km 29 e passei a meia com 1:47 e terminei com 3:39 (seginda metade 1:52).
    Concordo com o colega ai em cima. Dava pra andar 2 km sim. E teria chegado sub 4 horas ja que o índice nao importava mais.

  15. Daniela Sommer disse:

    Gente essa prova em poa se dando no inverno, é tenso mesmo! Sabemos q conseguimos primeiro a conquista na nossa mente, depois vem o corpo. Acho válido a explicação do pai. E sabemos tb que qq maratonista se sente orgulhoso pelo feito, nos últimos 2. Impossível não sentir a vibe dos últimos 2. Ela foi humana é igual a todo mundo!! Parabéns pelos 40k percorridos!!

  16. Emerson Ferro disse:

    A atitude não se justifica, mas a entrevista explica muito. É sempre bom ouvir o outro lado da história, e nela parece evidente que houve um aprendizado por parte da corredora. No mais, cabe ressaltar que apesar de muito bem organizada, a prova deixou a dever no número e proximidade de postos médicos, ainda mais quando já se esperava condições climáticas muito adversas. Pra uma prova cujo patrocinador master é um plano de saúde, isso é inconcebível.

    • Pegue duas fotos dela. A mandando bem na corrida e empurrando a bike. Muda radicalmente a fisionomia. Ela surtou. Falei mais de quatro horas com ela. Fiz um olho a olho. Sou deficiente auditivo e na linguagem corporal é fácil eu saber quando é ou não mentira ou verdade.

  17. Humberto disse:

    Staff nos kms finais da prova já não seria fim de partida? as maratonas que corri, não notei Staff algum nos últimos kms. em POA, quando corri em 2013, tinha muito torcedor quase em todo percurso. principalmente nos kms finais. acredito que fatou melhor preparo pra atleta ou errou a estratégia. em POA fiz minha primeira maratona, mas fiz longo de até 35k e sabia que era uma cidade muito mais fria que São Paulo. Acho que colocar Staff nos kms finais é dar muita colher de chá pro atleta. salvo uma ambulância pra quem passar mal e retirar da prova por algum entendimento da organização. Maratona é isto, é a prova mais dura e por isto a medalha deve ser como algo desejado desde que cumpra as regras. Ótimo texto.

  18. Rodolfo Luiz do disse:

    Ela errou, reconheceu o erro, pediu desculpas, aceitou as penas e os xingamentos. Eu, como corredor que sou, contra todo tipo de fraude em corridas, perdoo.
    Mas.
    A sociedade, hipócrita e perversa, jamais perdoa, e um delito, crime, contravenção ou erro, mesmo reconhecido, e punido será para sempre um estigma para o agente do erro, não interesse e nem basta para esses “santos e imaculados” defensores do correto e da lei, o arrependimento, o constrangimento, o pedido de perdão e uma nova postura, não é suficiente, nada, para os que se consideram honestos, apagará a falha. Prefiro a compaixão, a tolerância e a misericórdia à essa postura soberba.

  19. Mariana Cury disse:

    Parabens pela matéria Harry, excelente!!
    O que acho é que muita gente vinha fazendo coisa errada mesmo. E pegaram a coitada pra cristo. Quando ela nem fez pra burlar regras, diferente dos outros pediu pra sair da competição. Mas a galera julgou antes de saber ne, inventaram que ela se desculpou e pediu desclassificação depois de ser “flagrada”. Kkk como podem achar que ela nao seria ne, todo mundo que corre sabe que essa e uma das maratonas mais importantes do Brasil.. a coitada nunca escondeu, fez mostrando a todos e falou prontamente seu ato a organização. Eu estava la e a vi, não a conhecia mas acompanhei o caso. Pena tanta gente desinformada julgar ne. Quero ver essas pessoas que estão atirando pedra, se nunca erraram. Vamos ver se elas gostariam de ter a imagem delas publicada a cada erro.

  20. Carlos Mello disse:

    Dura lição de vida. Parabéns pela matéria!

  21. Marcelo B disse:

    Farsante, isso é o que ela é.

  22. Fernandes disse:

    Hoje o povo tem uma vergonha muito grande de falhar, seja perante os seguidores no Instagram seja a um pedido feito. Turma tem que aprender que o que vale não é o resultado em si mas como você agiu para chegar a ele… Nao sei se ela está sendo verdadeira em sua justificativa, mas independente disso ela fez algo muito feio… Uma coisa importante que temos que aprender com nossos pais é que se não demos conta de algo, temos que nos preparar melhor e tentar de novo,mas nunca usar de armações para obter o resultado esperado.

  23. Alessandra disse:

    Os pontos de hidratação no final da prova ficavam a uma distância de cerca de 2,5 km. Pedir ajuda num destes postos ela não cogitou. Pedir um agasalho a alguém pra se manter aquecida. Um telefone pra ligar pra assessoria dela que estava logo depois do gasômetro entregando energético aos seus alunos e que nesse ponto poderia se deslocar rapidamente até ela, tbm não.
    Desculpe mas com tanta alternativa essa da bicicleta é a mais doida.
    E me desculpem mas acho até bom que tudo isso tenha viralizado e tomado a proporção que tomou, quem sabe assim quando alguém for cometer alguma infração no esporte possa lembrar de toda essa vergonha e concluir que não compensa

  24. Daniel Malaguti disse:

    Muitos brasileiros estão de saco cheio da impunidade e um efeito colateral disso é o clamor de punição exagerada, “exemplar de pessoas que cometem erros que acabam viralizando nas redes sociais.

    Acompanho o Harry há muito tempo e se há uma coisa que ele não faz é “pegar leve”. A corredora errou, deve ser punida com a desclassificação e pronto. Até acho exagerado expulsa-la da Equipe. Se eu fosse o treinador topava mante-la desde que devolvesse a medalha. Ser treinador também é ser um educador. Fica a sugestão.

  25. Marcelo disse:

    Qualquer pessoa praticante de corrida a nivel competitivo mesmo amador (caso dessa pessoa) sabe (ou deveria saber) o espirito esportivo envolvido em toooodo o processo.

    Sim foi um erro,
    Mas acho que um pai na cama sem poder levantar nao justifica.

    Atençao a outro fato; na foto que foi flagrada empurrando a bike, ela esta nitidamente CORRENDO empurrando a bike.

    Nao me parece que uma pessoa no estado que ela descreveu, com tantas dores mal conseguindo caminhar, com inicio de hipotermia, conseguiria correr empurrando a bicicleta.

    Na versao dela, ela pegou a bike e pedalou do km 40 ao 41 ou 41.5 certo?

    Logo, (na versao dela) ela foi empurrando a bike do 41 ou 41.5 ate a chegada.
    Mais uma vez
    Se a condicao dela era taaaaaao grave
    E (como ela mesma disse) a prova ja tinha acabado no momento em que subiu na bike e que a todo momento tinha consciencia q apenas queria terminar a prova de qualquer maneira,
    Porque entao nao foi pedalando até o fim?

    Imagino que ela esteja arrependida
    Nao a conheco e imagino que todas as criticas (muitas duras demais inclusive) ja tenha sido um castigo mais que suficiente,

    Porem , na minha opiniao, nenhum dos fatos ou argumentos que ela apresentou justificam o ato

    Quem é do esporte sabe

    Todos os treinos longos
    Duros
    As madrugadas
    As dores
    As sessoes de fisioterapia

    Sao exatamente pra este momento. Os km finais. Quase todo mundo que treina pra uma maratona é rei no km 25.

    É pro km 35 em diante que serve todo o treino e tudo que foi feito ate aquele dia.

  26. Carolina disse:

    Eu não acredito em nenhuma palavra do que ela disse. Recebi os prints do instagram/stories e me pareceu que a única coisa que ela queria era o índice pra Boston.
    Minha interpretação: ficou cega, achou que “não daria nada” e, quando viu que não ia dar pra enganar ninguém, fez um mea culpa.

  27. Bianca K. disse:

    Eu conheco ela e seguia no insta ja..Perguntei a ela por que a postagem que criticaram falando dos kms lindos. Ela disse que é verdadeiro e nao omitiu nada no post. Foram 40kms lindo com imprevisto nos ultimos. Todos sabem que maratona tem 42, entao nao esta dizendo que completou. Disse que ficou muito feliz consigo mesma com sua performance ate lá e que foi a melhor e mais constante em uma distancia longa assim. A maratonista ja correu a prova de Chicago e foi muito bem, porem essa estava com um desempenho muito superior que a deixou feliz, ate ter uma forte dor repentina. Imprevistos acontecem. Nao acho que sua solução foi a melhor mas em nenhum momento ela tentou esconder ou enganar alguem. Essa é a grande diferença na minha opinião, independente da motivação. E a desculpa dela no seus stories foi antes que isso viesse a tona. Foi uma resposta aos seus amigos que perguntaram porque ela havia pedido a desclassificação, pois ela mesmo havia contado isso num stories anterior, onde mostrava sua quebra no garmin dizendo “shit happens” desapontada ( outra prova que nao estava se gabando) e dizendo que tinha pedido. Coitada nem imaginava que iam pegar isso, mal interpretar aliado a uma foto e conclusoes próprias de pessoas que nao a conheciam, nao estavam na sua pele nem tinham qualquer informacao pra julgar, e que nao foram prejudicadas de QUALQUER forma. Galera, acho que cada um devia cuidar da sua vida. o que ela fez nao afetou ninguem. apenas ela mesma.

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