Mais importante que correr é mostrar que correu. É o esporte, estúpido

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Sou de um tempo que as pessoas entravam nas coridas para imprimir sua maior velocidade pelo tempo máximo que podiam. E o couro comia dos primeiros aos últimos colocados. O tempo foi passando, a corrida se popularizou e veio toda sorte de pessoas para mundo running, o que foi ótimo.

Como nesta época não havia Redes Sociais nossas corridas ficavam entre os amigos, familiares, treinadores e assessorias. O prazer era só nosso, próprio. Não tinhamos que ficar preocupados com “o que vou dizer lá em casa”, no caso hoje, do Facebook, do Instagram ou amigo do Crew. Corríamos pelo prazer de dar o melhor. Não havia selfie mas o Tião Moreira estava lá para registrar nossas corridas. Esses dois cenários, de um tempo para cá passamos a chamar de Corredor-Raiz, e no lado oposto, o Corredor-Nutella.

No começo desta década as Redes Sociais junto a popularização dos smartphones criaram uma geração running, onde o mais importante que correr é mostrar que correu.

O Corredor-Raiz pode e deve incorporar as inovações tecnológicas. Como diz um conhecido jornalista: “Estou velho mas não obsoleto”. Essa preocupação de ficar obsoleto não é minha, pois incorporei nestes 24 anos como corredor e 19 como jornalista todo tipo de inovação existente.

Como corredor nunca corri sem número de peito, nunca cortei um metro sequer de um percurso, nunca cedi nenhuma inscrição. Não desrespeito regras básicas. Meu fair play modéstia parte é elevado.

Se alguns gostam ou não das minhas posições como jornalista para mim pouco importa. Eu seguindo as regras do esporte e defende-las é o que me interessa. Como escreveu certa vez o jornalista Flávio Gomes em resposta a uma critíca que recebeu por ter praticado jornalismo imparcial.

“E dai? Desde quando jornalista tem que fazer loas a essa babação de ovo que as pessoas acham importante, essa postura de ficar admirado com esse mundinho de mentira – dinheiro, Cidade Luz, melhor isso, melhor aquilo? Jornalista bom é jornalista crítico. É quem enxerga além. É quem não fica a vida inteira bajulando os poderosos”. Para quem não sabe, Flavio Gomes, é considerado o melhor texto esportivo do país.

Minha premissa editorial é simples: Fez algo bom, elogio. Fez algo ruim, critico. Lembrando que a premissa do jornalismo se baseia no tripé: informar, opinar e criticar. Assim como um médico tem que tomar às vezes a dura decisão de desligar os aparelhos que mantém o paciente vivo, a minha profissão exige que sejamos críticos e como críticos fazemos…críticas quando for o caso, doa a quem doer.

Outra premissa que trago comigo é: não defendo atleta, não defendo organizadores, não defendo marcas, não defendo entidades. Defendo a modalidade corridas de rua! Para quem não sabe corrida de rua (estamos falando em participações de competições e não o trote no parque) – é um Esporte, e como tal, pode ser utilizado como lazer mas não é entrenimento onde cada um faz o que quer. Parafraseando James Carville, diria: “É o esporte, estúpido”.

Esporte é feito de regras. Assinou o termo ali na hora de se inscrever tem que entrar na regra do jogo. Simples. Quer correr de pipoca? Não pode. Quer correr com inscrição de outro gênero? Não pode. Quer correr com pipoca ao lado para dar apoio? Não pode. Quer correr com número de idoso? Não pode. Lembre-se que ao fazer a inscrição você aceita as regras da corrida. Quer terminar uma corrida pedestre e atravessar o pórtico pedalando? Não pode e ponto final.

Harry Thomas Jr.
Harry Thomas Jr.
É Publisher do Blog do Harry. É jornalista especializado em corridas de rua desde 1999 quando lançou o site Maratona. Posteriormente esteve à frente dos portais Webrun e Running News. Expert em corridas tem matérias publicadas em todas as revistas de running do Brasil. Já participou de provas que vão dos 5k aos 67km na Argentina, Chile, Estados Unidos, Grécia e Japão. Além do asfalto aprecia Trail Run.

1 Comentário

  1. o povo perdeu a noção, totalmente, das coisas simples

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