Combate aos pipocas e falsários na São Silvestre

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Largada geral da 93ª Corrida Internacional de São Silvestre - Prédio da Fundação Cásper Líbero - 31/12/2017 - Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press


O ano de 2017 vai entrar para a história do running brasileiro como o de quebra de paradigma. O ano que finalmente uma empresa organizadora de corridas resolveu peitar os pipocas criando um projeto correto e honesto: o ‘Corredor Legal’. Não foi a primeira ação da história contra o problema que atinge às corridas brasileiras a cerca de 10 anos. Antes, a Latin Sports criou a campanha “Pipoca só no Cinema” que causou furor nas Redes Sociais. Os ‘contra’ e os ‘a favor’, esquecendo que o que vale é o certo e o errado.

Estamos falando de esporte e seu princípio fundamental é o cumprimento de regras. Sem regras acaba o esporte.

Exceto essas ações não observei no mercado qualquer atitude mais frontal, vá, vá, tivemos a Maratona do Rio que não deixava os pipocas entrar no funil. Mas convenhamos. Pelo tamanho do mercado e do problema são poucos a abrirem efetivamente os olhos para o assunto.

E eu paro no bloqueio da São Silvestre que dava acesso ao setor Azul. Gradis e duas pessoas apenas. Inicialmente achei tratar de dois staffs. Como chovia as capas ocultavam a farda de soldados Bombeiros da Polícia Militar (utilizado em eventos de porte), sim , o mesmo profissional que vai te salvar quando você colocar fogo em casa após fritar um ovo.

A massa que adentrava era de inscritos. Aparecem alguns pipocas que são prontamente impedidos de entrar. Passa um pipoca enquanto os Bombeiros estão enquadrando outros. Primeira falha observada: pouco material humano (ao menos naquele bloqueio específico), pois duas pessoas não seguram aquele funil. No mínimo três a cinco staffs mais dois Bombeiros seria a equipe ideal. Se é pra fazer, que se faça bem feito, porquê o esquema implementado de controle da arena é excelente.

A garoa passa a engrossar um pouquinho. E eu continuava no bloqueio a observar. Os dois Bombeiros repelem mais pipocas e eu me identifico como jornalista-credenciado que estava a trabalho, já que haviam mandado eu “ir circulando” do local (o que é correto). Nisto, mais um pipoca tenta adentrar quando o Bombeiro o chama. O cara não dá importância. ‘Deve ser staff’, por certo pensou o rapaz. Quando então viro para ele tirando uma onda e digo: “O cara aqui está te chamando, ele é ‘Poliça’ cidadão”. A cara do rapaz foi impagável. Ele sabia que não estava certo, mas fazer o que se é só um staff, não é mesmo? Só que não, desta vez. O rapaz após ficar branco, abriu a mochila e mostrou sua câmera fotográfica profissional. Perguntei a ele se era treinador de Assessoria Esportiva (li seus trejeitos) e se iria tirar fotos dos alunos, ele confirmou que sim. O Bombeiro usando o bom senso liberou. Mas o mau do Brasil é o brasileiro mesmo.

Tudo isso ocorreu em uma fração de menos de um minuto. Lembrem-se: eram dois apenas no bloqueio. Neste 1 minuto o parceiro ficou dando conta sozinho da entrada. Se apertar essa operacionalização no bloqueio, barra por ‘completo’ a entrada de pipocas na arena sãosilvestrina. Com essa conclusão, após ver como funcionava, sai do local e me dirigi à pista.

Mas, sempre tem um ‘mas’, o problema é cultural e havia esquecido que estava no Brasil, terra da impunidade, do jeitinho e de levar vantagem sobre o correto. Só analisarem como o tal treinador, lidou ao pensar que era um ‘mero’ staff e ao saber que ‘era’ um Policial Militar que o chamava. Expectativa e realidade.

Infelizmente é necessário um choque de realidade e todos os organizadores aplicarem ações contra a pipoca. Os ‘bandits’ são nocivos às corridas de rua e já devem ter dado milhões de prejuízo aos organizadores, e quem paga o pato é quem paga inscrição.

Após eu entrar e em horário  próximo a largada, soube que chegou uma horda de pipocas e até de inscritos de outros setores que deviam estar perdidos e invadiram o bloqueio, vários pulando as grades e invadindo o espaço.

Apesar desses problemas observados, na pista era notável que a arena estava muito mais confortável, e que, o número de pipocas frente aos inscritos era pequeno, a operação ‘barra-pipoca’ funcionou, falta agora azeitar a máquina.

Por óbvio sabia que no percurso eles entrariam, mas com uma certeza: não largariam nem chegariam na Paulista.

Até aqui cheguei em algumas conclusões. O esquema de controle a Paulista funcionou como teste positivo. Se fazer bloqueio efetivo com staff fazendo a triagem e Bombeiros garantindo o “não é não” a Yescom vai ter mostrado que é possível vencer os pipocas, os corruptos das corridas. Intensificar é a palavra chave.

Quanto aos filtros anti-pipoca no final da prova deveria haver um na São Carlos do Pinhal e o outro no final como ocorreu.

Mas, sempre tem um ‘mas’, sabendo que não seria fácil entrar na arena, a faceta oportunista do brasileiro se aflorou dando um jeitinho. “Vamos imprimir vários números em cima de uma inscrição paga pelo Walter?”, deve ter sido o papo lá na Run Up, vulgo, 23023. O mesmo deve ter acontecido com os fofinhos dos boizinhos – ou seriam vaquinhas? – do bib 1911…

Ler depois que estavam lá “protestando” não cola, é só uma cortina de fumaça sobre a pipocagem pura. São falsários a bordo de tênis último tipo. São os pipocas Nutella (com número de peito) mas que estão incorrendo a crime previsto no código penal.

“Números duplicados serão excluídos do resultado durante a semana. Copiar o número fere o regulamento e a lei. Donos dos números que se inscreveram e cederam para cópia serão notificados . A pessoa que cedeu o número terá seu cadastro bloqueado em todas as provas da São Silvestre e da Yescom e não poderá se inscrever mais.”, informou ao Blog do Harry a Yescom.

A engolida a seco que observei quando falei ao cidadão que o cara era Polícia e não um “mero” staff, foi a prova cabal que as pessoas sabem que estão fazendo as coisas erradas (e sem bla-bla-blá de desculpas de pipocas), porém confiam na impunidade.

Precisamos começar a fazer nossas camas, caso queiramos, mudar o mundo.

Procurado o Sr. Guto Arruda da Run Up não retornou nosso contato até o fechamento deste post.

Harry Thomas Jr.
Harry Thomas Jr.
É Publisher do Blog do Harry. É jornalista especializado em corridas de rua desde 1999 quando lançou o site Maratona. Posteriormente esteve à frente dos portais Webrun e Running News. Expert em corridas tem matérias publicadas em todas as revistas de running do Brasil. Já participou de provas que vão dos 5k aos 67km na Argentina, Chile, Estados Unidos, Grécia e Japão. Além do asfalto aprecia Trail Run.

3 Comentários

  1. Felixneto lima disse:

    E umavergonha Tem que ser levado a sério esses bando de vândalos falsários tem que ser presos !

  2. Perfeito!!! Foi exatamente o que vi no SS, parabéns!

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